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Leda Maria Martins: acendedora de sóis, por Dione Carlos

A filosofia Bantu compara o ser humano ao sol. Ele nasce, brilha, se põe. Há, inclusive, quem seja capaz de acender sóis. É o caso de Leda Maria Martins, a quem celebramos neste momento. Alguém capaz de brilhar e fazer brilhar. 


Leda é poeta, ensaísta, dramaturga, professora, formada em Letras, mestra e doutora em Artes Cênicas, pós-doutora em performance. Mas é, sobretudo, antes de qualquer um destes títulos, Rainha de Nossa Senhora das Mercês da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá, em Belo Horizonte, o que implica uma enorme devoção ao coletivo. 


É em função de seu trabalho intelectual, que reflete sobre Artes Cênicas a partir de cosmovisões de matrizes africanas e indígenas, em paralelo ao seu cargo de Rainha Conga e educadora , que nos reunimos aqui hoje para saudar alguém capaz de agregar, potencializar e apontar futuros possíveis de reinvenção das nossas narrativas a partir de um pensamento nutrido e gestado há décadas e que une teoria e prática na mesma medida, além de se voltar para dentro do nosso território para criar a partir dele, quebrando a tradição de se pensar o Brasil sem olhar verdadeiramente para ele, o que inclui reconhecer nossas heranças afro-indígenas-brasileiras. É diante desta convocação poética que nos reunimos para agradecer à Leda, reconhecendo a potência de seu gesto, que é na verdade, a beleza e a luta de toda a sua vida. Algo que nos faz olhar para dentro e enxergar a nossa diversidade como um tesouro a ser valorizado, um bem-comum a ser compartilhado, algo vastamente praticado pela nossa homenageada e que muito nos inspira.


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Dione Carlos é dramaturga, roteirista, atriz e curadora. Escreveu dezenas de peças encenadas no Brasil e no exterior, por grupos como Cia Capulanas de Arte Negra, Cia Livre, Coletivo Legítima Defesa e Companhia de Teatro Heliópolis. Selecionada para participar do Black Women Theatre Makers realizada pela PlayCo, de Nova Iorque, EUA. Representou o Brasil no Dia Internacional da Língua Portuguesa, na Grécia. Criou roteiros para diversos canais e atualmente trabalha na Rede Globo. Roteirista responsável pelo documentário Elza Infinita, ganhador do prêmio de melhor documentário no Festival Internacional de Nova Iorque. Foi orientadora artística da Escola Livre de Teatro de Santo André no Núcleo de Dramaturgia. Ministra oficinas de dramaturgia pelo país. Agraciada com os Prêmios Shell e APCA 2022 na categoria Dramaturgia.

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