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O espiralar na arte: como a obra da intelectual Leda Maria Martins inspira a 35ª Bienal de São Paulo, por Nonada Jornalismo

Junho de 2023

Os paredões curvos do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, vão, de fato, curvar-se na 35ª Bienal de São Paulo. As estruturas sinuosas e espiraladas do prédio que a cada dois anos abriga a maior exposição de arte do Brasil receberão uma proposta que convida a pensar em perspectivas não-lineares de arte e de tempo.

Como ensinam as filosofias africanas, para começar a entender um assunto, precisamos nos mover em direção ao seu fundamento – aquilo que lhe dá origem, que está em seu umbigo, em sua criação. Se desejamos nos aproximar das Coreografias do Impossível, título da mostra que abre em 6 de setembro, precisamos perguntar: Qual é o fundamento do projeto curatorial desta Bienal? Uma das respostas possíveis é: Leda Maria Martins. 

A poeta, ensaísta, dramaturga e professora da UFMG é referência para concepção do projeto curatorial de Diane Lima, Grada Kilomba, Hélio Menezes e Manuel Borja-Villel. Pioneira no estudo do campo da performance no Brasil, Leda inspira a ideia de Coreografia trazida este ano. Seu conceito Dançar é Inscrever no Tempo nomeia o primeiro material educativo da edição, lançado em maio como publicação física e digital.

Entre os livros de sua autoria estão O moderno teatro de Qorpo-Santo (Ed. UFMG, 1991), A cena em sombras (Perspectiva, 1995) e Afrografias da memória (Perspectiva, 1995), e o mais recente Performances do Tempo Espiralar: poéticas do corpo-tela (Cobogó, 2021) onde Leda revisita – ou coreografa – uma longa pesquisa sobre pensadores africanos e afro-diaspóricos que apresentam novas possibilidades de ver o tempo, de perceber a ancestralidade e a própria ideia expandida de performance. No livro, em uma escrita simultaneamente poética e acadêmica, a autora nos presenteia com um mergulho nas noções de afrografia, oralitura, corpo-tela e tempo espiralar – cernes de seu trabalho e também da próxima Bienal. 

Ao ouvir o título Coreografias do Impossível, já se sabe que o corpo ocupará lugar privilegiado durante a mostra, que até agora conta com 43 nomes, entre 37 artistas, quatro duplas e dois coletivos. A lista final será divulgada em 22 de junho, e a Bienal abre em setembro. “As corporeidades estão em tudo. Expor o lugar privilegiado do corpo como inscrição e instalação dos saberes mais diversos, inclusive estéticos, habita as artes”, explica Leda em entrevista ao Nonada Jornalismo.


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Nonada Jornalismo é uma organização sem fins lucrativos que entende a cultura para além da produção artística. Desde 2010, busca ecoar com viés decolonial as múltiplas vozes que formam a cultura brasileira, com enfoque em pautas e projetos sobre processos artísticos, políticas culturais, comunidades tradicionais, culturas populares, direitos humanos e culturais, memória e patrimônio, cultura e clima.
 

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