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Do filho

Para Marco Rodrigo

 

O ventre do desejo

estanca a espera.

 

Bem vindo sejas, filho meu

abayomi

bendito o teu labor.

 

No teu semblante

a grafia da matrilínea face

a do parto, lavoura

a do desejo, recolha.

 

Nos teus lastros

a figuração de numinosa gesta

na dor, involuntária

no prazer, luminária.

 

Desejado vens

aos seios lúdicos de tua mãe

em cujo hálito repousas

sorvendo o parentesco

na tranfusão d'amor.

 

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Poema publicado originalmente no livro Os dias anônimos (1999)

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