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/ Poemas
Interlúnio
No dia sem acaso
em que eu for minha
então me contemplarás
com tudo que tenho
de meu.
Nesse dia em que eu serei eu
e inteira
com mágoa que não a tua
com risos que não outros
de tudo que sou
terás.
E para que saibas a verdade
de mim
e a reconheças
meus olhos terão o opaco
das luzes
que brilham
sozinhas.
Meu gesto terá a exatidão
do caule
que se curva nele mesmo
e minhas gotas
o gosto do vão
que se fecha
sem trevas.
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Poema publicado originalmente no livro Os dias anônimos (1999)
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