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Linhagem

Coma, infante

do teu prato

dos vasos alheios

de todas as ceias

postas.

 

Coma dos ritmos

ancestrais

das estanças

e arabescos

dos murais.

 

O sal é o manjar do gosto

o mel, o prazer do acre

e os aromas todos

para serem sorvidos

na embriaguez da fome.

 

Tome da escrita

o almíscar da voz,

da letra

o apetite do verbo,

do tempo,

o repouso do instante.

 

De todas as ceias postas

coma

para que o teu enjôo

não seja seco.

 

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Poema publicado originalmente no livro Os dias anônimos (1999)

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