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/ Poemas
MNEMOSINE 2
Com Bandeira, Haroldo e Henriqueta
ouvi
no amanhecer
o canto das lavadeiras
madrugada afora
virando rio
os resíduos do verbo
tecem franjas na memória
tessitura imaginária
de estranho e familiar desejo
toda história é sua invenção
qualquer memória
um hiato
no vazio
e nos subúrbios da noite
eu faço versos como quem cisma
sons miragens
silêncios e vãos
delete o poema
se não tens agora
do pranto
nenhuma razão
eu vi quando amanheceu
a luz que ruiu foi assim tão tênue
o acorde que se ouviu foi assim tão breve
que em si mesmo se perdeu
e vi quando escureceu
de desencanto meus olhos
turvarão
o coração distraído
não
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Poema publicado originalmente na revista piauí (edição 183, dezembro 2021)
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