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POIĒSIS 3

a poesia tenciona
a intenção poeta
ali os desejos
de desejos se roçam

ali
o tênue lume do sentido
in verso
in sano
intento
às dúvidas
e dádivas
diverge
diverte
e míngua
o tímido anelo
entre o poeta e
o que quisera sua
poesia

o poema
brinca na miragem
da língua
antes morta
na ânsia da voz
e excede
o que era impossível lembrar
sua tradução

nos trevos das líneas
o verso
alucina a forma virtual
de um desejo
e mira
o horizonte dos exílios

ali
em exímio deleite
a poesia
sacia os restos da fala
seus ruídos
sua parenta

e sem semblante
transita
fugaz
à toa
arisca
rara
inessencial

olhos da fonte
a poesia
asa sonora
de lírica borboleta
sem saber
sua hora de morrer
em tênues e fulgurantes átimos
deriva
dos tons
os odores
seus húmus

a poesia arruína
a intenção
do poeta
que se precipita

nas loas da vida

ceia amarga
bianda malgós
ceia sagrada

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Poema publicado originalmente na revista piauí (edição 183, dezembro 2021)

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